A supervalorização do Facebook na campanha presidencial – Maurílio Fontes

Candidatos à presidência da República que não estão bem nas pesquisas eleitorais sempre demonstrarão otimismo frente às dificuldades de pontuar nas aferições de diversos institutos.

A aposta da vez são os impulsionamentos pagos no Facebook, como se a utilização da rede social fosse capaz de resolver todos os problemas com os quais se defrontam aqueles que estão na rabeira, estáticos, sem perspectivas de ascender percentualmente no decorrer da campanha. 

O Facebook, apesar das polêmicas nas quais está envolvido, é incapaz de ser, sozinho, a fonte a partir da qual a imagem dos candidatos será apreendida positivamente.

Por mais poderoso que seja, e a campanha eleitoral americana está aí para provar, o Facebook nunca será a pedra filosofal, com poderes mágicos e transformadores da vontade dos eleitores. 

A decisão de voto é de grande complexidade, envolvendo múltiplas variáveis, nuances submersas, difíceis de detectar, redes de relacionamentos reais, “face to face”, na escola, trabalho, igrejas e em quaisquer outros meios a partir dos quais as pessoas mantenham contatos diários ou mesmo esparsos.

Atribuir ao Facebook a capacidade de alavancar índices de intenção de voto beira o nonsense/ridículo e demonstra que homens experientes, nesta eleição, carregam crenças comuns da nossa mais tenra idade, na qual acreditávamos em Papai Noel e em suas viagens transnacionais para nos presentear com aquilo que queríamos, em mágico exercício de adivinhação e bondade do Bom Velhinho. 

O Facebook pode muito, mas não pode tudo.

Às vezes, isso é muito comum em campanhas eleitorais, quanto mais o candidato se expõe mais aumenta sua rejeição.

Neste caso, o nível de conhecimento, um dos principais desafios de quem disputa o Executivo, trabalha em sentido contrário, afundando as pretensões dos candidatos.

No início de qualquer campanha majoritária a conjunção baixo nível de conhecimento e baixa intenção de voto não é a mais aterradora. Nesta fase da campanha presidencial, no entanto, é muito preocupante. 

E não será o Facebook a redenção de todos os problemas dos candidatos que patinam nas pesquisas eleitorais. 

Bolsonaro

Com alto índice de cristalização de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL/RJ) precisa agregar entre três e cinco pontos percentuais para garantir presença no segundo turno.

Um grande desafio para o candidato. 

De outro lado, seus adversários  direcionam munição para Bolsonaro, até agora sem efeitos práticos, mais parecendo o inofensivo festim ou traque junino.

Quem já tomou a decisão de votar em Bolsonaro está pouco se lixando para o que pensam ou dizem parentes, amigos, colegas de trabalho e, principalmente, os inimigos.

As razões do voto já estão delineadas e muito dificilmente os eleitores bolsonaristas voltarão atrás. 

E não será o Facebook terreno fértil para destruir aquilo que está cristalizado, mesmo que grande parte do eleitorado considere o candidato como um arremedo mal-ajambrado de um possível futuro presidente da República. 

Maurílio Lopes Fontes é editor dos sites Bahia Hoje News e Alagoinhas Hoje. Especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública (UCSAL-2006)