Ao dizer que decidiria sozinho sobre ação na Venezuela, Bolsonaro deu recado a militares

A mensagem de Jair Bolsonaro que provocou um ruído de comunicação com a cúpula do Congresso era, na verdade, segundo aliados do presidente, um recado para auxiliares que atuam no Planalto. Bolsonaro escreveu em rede social que, sobre a Venezuela, qualquer hipótese seria decidida “exclusivamente” por ele. A declaração, inicialmente lida como afronta ao Parlamento, era endereçada aos militares e ao vice, Hamilton Mourão, contrários a qualquer intervenção no país vizinho.

O fato de o presidente não descartar definitivamente uma ofensiva armada contra o ditador Nicolás Maduro faz com que governadores se fiem na resistência dos militares a qualquer ato desse tipo para apostar no distanciamento do Brasil de um eventual conflito. Políticos de estados importantes acionaram generais para medir a temperatura em Brasília.

A fala de Bolsonaro seria, então, um lembrete de que a decisão sobre a posição oficial do governo, em última instância, é dele. A tutela sobre o discurso público do presidente é alvo de disputa desde o início do governo, mais notadamente entre pessoas ligadas a Olavo de Carvalho e integrantes das Forças.

 

Fonte: Folha de São Paulo