Apelo de Eduardo ajudou assessor que fez ‘voo particular’ a conseguir novo cargo

Partiu de Eduardo Bolsonaro, o filho “03” do presidente Jair Bolsonaro, o principal apelo para que o assessor da Casa Civil Vicente Santini continuasse no governo. O ex-secretário-executivo do ministro Onyx Lorenzoni foi realocado em um novo cargo nesta quarta-feira, 29, um dia após o presidente o demitir publicamente por ter utilizado um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir à Europa e à Àsia.

Para interlocutores do presidente, a nomeação de Santini em um novo cargo no mesmo dia em que sua exoneração foi publicada no Diário Oficial da União levanta questionamentos, pois contraria o discurso do próprio presidente da véspera. Na ocasião, ao retornar de viagem à Índia, Bolsonaro disse que o “voo particular” de Santini era “inadmissível”. “O que ele fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de avião comercial, classe econômica”, disse Bolsonaro na terça-feira, 28.

Além de Eduardo, Santini contou ainda com o apoio do assessor especial para assuntos internacionais, Filipe Martins. Eduardo, Filipe e Vicente têm formado um trio que marca presença constante em viagens internacionais de Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) também é próximo ao assessor readmitido no governo.  

O Estado apurou que ainda na tarde desta quarta-feira, 29, com a portaria da demissão já publicada, Bolsonaro ainda demonstrava indignação com a atitude de Santini e a disposição de mantê-lo afastado do governo. 

No entanto, com o decorrer do dia, o presidente teria conversado com seus filhos e com o próprio Santini e autorizado a recontratação, em novo cargo.

A nova função de Santini será de assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil. O salário é de R$ 16.944,90, pouco menos que os R$ 17.327,65 que recebia como secretário-executivo.