Apple é primeira empresa a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado

Emendando três pregões de alta, a Apple se tornou nesta quinta-feira (2) a primeira empresa a atingir US$ 1 trilhão (R$ 3,76 trilhões) em valor de mercado em Wall Street.

Os papéis da gigante tecnológica eram negociados a US$ 206,9299 (R$ 778,05) às 14h37 (horário de Brasília), alta de 2,69%.

O desempenho puxou o índice de tecnologia Nasdaq, que sobe 1,1%, enquanto o Dow Jones, principal indicador de Nova York, recua 0,37%.

O valor do mercado da Apple é maior do que a capitalização combinada da Exxon Mobil, Procter & Gamble e AT&T. Atualmente, representa 4% do índice S&P 500, que sobe 0,38%.

A marca atingida 20 anos após seu cofundador Steve Jobs (1955-2011) voltar à empresa para resgatá-la da beira da falência veio graças a uma combinação de vendas robustas do iPhone, seu carro-chefe, e um programa de retorno de capital aos acionistas que chegou a centenas de bilhões de dólares.

Na terça-feira (31), a Apple reportou alta de 32% no lucro do seu terceiro trimestre fiscal (findo em junho), para US$ 11,5 bilhões (cerca de R$ 43,2 bilhões). No dia seguinte à divulgação do balanço, as ações da empresa dispararam 5,89%.

O volume de vendas do iPhone subiu apenas 1%, para 41,3 milhões de unidades, mas os preços médios de comercialização mais altos elevaram a receita anual da empresa com seu principal produto em 20%, para US$ 29,9 bilhões (R$ 112,3 bilhões).

A fabricante registrou 17% de crescimento em sua receita anual no trimestre, a US$ 53,3 bilhões (R$ 200 bilhões), superando as projeções de Wall Street.

No trimestre, a companhia devolveu US$ 25 bilhões aos seus acionistas.

O valor de mercado, no entanto, é apenas uma das possíveis medidas de sucesso de uma empresa. O valor intrínseco da Amazon, que leva em consideração a dívida da companhia, está à frente da Apple em cerca de US$ 50 bilhões, por exemplo.

Sob nova direção

As ações da Apple subiram quase 36.000% desde sua oferta inicial em 1982, superando de longe o aumento de aproximadamente 2.000% do S&P 500 no período.

Iniciada na garagem de Jobs em 1976, a Apple hoje tem uma receita superior ao PIB de Portugal e Nova Zelândia, por exemplo.

Um dos três fundadores, Jobs foi expulso da Apple em meados da década de 1980, mas retornou quase uma década depois. Ele lançou o iPhone em 2007, revolucionando a indústria de celulares e pegando de surpresa empresas como Microsoft, Intel, Samsung e Nokia.

​O preço das ações da Apple aumentou mais de 2.000% desde que Tim Cook, atual executivo-chefe da Apple, assumiu o cargo interinamente em janeiro de 2009, quando Jobs estava em tratamento contra o câncer.

“O preço das ações é um resultado, não uma conquista por si só”, disse Cook em uma entrevista à revista Fast Company neste ano. “Para mim, é sobre produtos e pessoas.”

De qualquer forma, atingir a marca de trilhões de dólares é uma reafirmação para o executivo, que enfrenta questionamentos recorrentes sobre sua liderança desde que sucedeu Jobs, morto em 2011.

Cook lutou para desenvolver um novo produto que replicasse o sucesso de 11 anos do iPhone, que viu suas vendas diminuírem nos últimos anos, mas ainda responde por cerca de dois terços da receita anual da empresa. Ainda assim, o executivo levou a companhia a novos patamares ao construir um portfólio de produtos e serviços de apoio.

As receitas da Apple Services, que inclui a App Store, iCloud e Apple Music, subiram em 31%, para US$ 9,5 bilhões.

A recuperação dos preços das ações da empresa nos últimos meses foi atribuída, pelo menos em parte, ao plano da Apple de repatriar seus lucros no exterior e devolver a maior parte dos seus mais de US$ 100 bilhões em dinheiro líquido aos acionistas, segundo as novas regras tributárias dos EUA.

Isso ajudou a conquistar o apoio de investidores de longo prazo, como Warren Buffett, que elogiou a Apple por seus retornos financeiros.

Mas Cook mantém os pés no chão. Na reunião anual de 2014 da Apple, ele respondeu a um acionista que perguntou sobre o retorno do investimento de seus projetos ambientais e de acessibilidade.

“Eu não considero o sangrento ROI [retorno sobre investimento]”, disse ele. “Se você quer que eu faça as coisas apenas por motivos de ROI, você deve sair dessa ação.”

Em fevereiro, Cook afirmou também que um de seus papéis é “tentar bloquear o barulho das pessoas que estão realmente fazendo o trabalho”. “Eu trabalhei em uma empresa há alguns anos atrás onde todo corredor em que você entrava, veria o preço das ações sendo monitorado. Você não encontrará isso aqui”, completou.

Futuro

Os investidores continuam especulando se os projetos secretos da Apple para desenvolver carros autônomos, óculos de realidade aumentada ou um novo serviço de streaming de vídeo irão sustentar o lugar da empresa no topo da indústria de tecnologia.

“Olhando para o futuro, não poderíamos estar mais empolgados com os produtos e serviços em nosso pipeline”, disse Cook ao divulgar o balanço nesta semana.

No ano passado, suas vendas cresceram mais de 11 vezes, para US$ 229 bilhões e a receita líquida cresceu duas vezes mais, para US$ 48,4 bilhões, tornando a Apple a empresa norte-americana mais lucrativa.

Uma das cinco empresas dos EUA desde a década de 1980 a se tornar a maior empresa de Wall Street em valor de mercado, a Apple pode perder a liderança para empresas como Alphabet ou Amazon se não encontrar um grande novo produto ou serviço, pois a demanda por smartphones perde ritmo.

 

Fonte: Folha de São Paulo