Balaio de gatos – Maurílio Fontes

Ao analisar disputas eleitorais é preciso fazer avaliações retrospectivas que tenham como arcabouços analíticos os cenários de pleitos anteriores. 

Em 1986, a Bahia não possuía os atuais 417 municípios, mas algo em torno de 360/380, mas a maioria dos prefeitos apoiava o governo comandado por João Durval Carneiro, cujo líder político era Antônio Carlos Magalhães, senhor absoluto dos votos do interior. O resultado da disputa entre Josaphat Marinho e Waldir Pires todos conhecem.

Quatro anos depois (1990), ACM volta ao poder contra a máquina estadual, que certamente mantinha sob controle grande parte dos gestores municipais. 

As eleições subsequentes – 1994,1998 e 2002 – seguiram roteiro previsível pela força do Diário Oficial do Estado da Bahia, a unidade do grupo carlista e a figura, àquela altura, quase mítica de ACM (goste-se ou não dele, não se pode negar que o “Cabeça Branca” construiu tramas políticas que o mantiveram no poder por muitos anos. Se elegeu deputado estadual em 1954 e federal em 1958,1962 e 1966, quando foi o mais votado da UDN). 

Na disputa estadual de 2006, ainda fresca na memória, menos de 40 prefeitos apoiavam Jaques Wagner, que largou com baixa intenção de votos e ganhou a eleição de Paulo Souto no primeiro turno.

Em 2006, o carlismo apresentava fadiga de material, comum a grupos políticos que ficam por muito tempo no poder, a disputa entre carlistas e soutistas inseriu um novo ingrediente de cisão interna, e os ventos petistas nacionais invadiram a Bahia, definindo o resultado eleitoral de forma surpreendente em favor do PT. 

Nos embates de 2010 e 2014, o PT venceu com vantagens quantitativas consideráveis e completará ao final do primeiro mandato de Rui Costa três quadriênios no controle da máquina pública estadual.

Neste início de maio, quando faltam cinco meses para o dia do pleito, a migração de prefeitos para a base petista é pauta jornalística e tema politico que ocupa grande parte das discussões, sem um olhar para o papel dos gestores citadinos numa eleição quase geral, que exclui apenas as disputas municipais: eles são cabos eleitorais importantes para candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.

Portanto, superestimar a força eleitoral dos prefeitos nas refregas majoritárias é deslocar seus raios de atuação para um campo “magnético” distante dos limites territoriais dos municípios e, portanto, da ação dos alcaides.

A atuação dos prefeitos nunca será de soma zero, mas também não atingirá o volume que se vende como possível balizador do resultado eleitoral antecipado a partir das mudanças de legenda e busca de abrigo no governismo, tradição histórica na politica baiana desde a 1ª República. 

O governo é forte, sob certos aspectos, apenas e tão somente por ser governo, controlar a máquina pública, editar o Diário Oficial, obter mídia espontânea e pelo rol de realizações que produziu nos últimos 40 meses.

Sem desmerecer o papel dos prefeitos na política baiana, é prudente registrar, para finalizar a análise, que eles terão pouca influência no pleito de 7 de outubro no que diz respeito às disputas para as duas vagas senatoriais, a cadeira de governador de estado e o principal posto do executivo nacional, a tão sonhada presidência da República. 

Na política, às vezes, a junção pragmática não passa de balaio de gatos. 

Ademais, cabem duas perguntas:

Prefeitos mal avaliados serão  bons cabos eleitorais?

Dos 417 gestores municipais baianos, quantos conseguiram atingir índices razoáveis de aprovação? 

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*Editor dos sites Alagoinhas Hoje e Bahia Hoje News