Brasileiro desponta nos EUA com projeto de segurança no trânsito

Se precisasse enviar um currículo, o paulistano Lawrence Lin Murata, 23, deixaria o selecionador boquiaberto: aos 20 já dava aulas na Universidade Stanford (uma das melhores do mundo) e, aos 22, criou uma startup que, menos de um ano depois, já está avaliada em R$ 9 milhões.

Mas Law, como é conhecido, não está à caça de emprego. O jovem trabalha sem parar nos testes da ferramenta de inteligência artificial criada por ele para melhorar a segurança de pedestres e motoristas.

O escritório da Newton Technologies fica em Palo Alto, cidade localizada no Vale do Silício, região dos EUA que reúne as principais empresas de alta tecnologia do mundo. Fazem parte da equipe de Law um ex-funcionário da Apple e um professor do laboratório de mobilidade de Stanford.

Tudo começou quando, aos 15 anos, foi participar de uma feira de profissões no Colégio Bandeirantes, em São Paulo, e não sabia muito bem o que olhar por ali. Até que viu uma sala com uma fila enorme. Se havia tantos interessados, pensou, devia valer a pena a espera.

Quando chegou a sua vez, conversou com o professor José Olavo Amorim, diretor do departamento internacional da instituição e responsável por informar os alunos sobre os processos seletivos das universidades estrangeiras.

“Para mim, até então, a Universidade Stanford era coisa que eu via em filme americano. Eu mal sabia que era possível ir para lá. Quando entendi, fiquei obcecado, não conseguia parar de pensar nisso até o fim do ensino médio.”

De fato, se atualmente muitos estudantes dos colégios de elite já planejam fazer a faculdade fora do país, há oito anos ainda eram poucos que ousavam fazer o SAT —exame de seleção dos EUA que funciona nos moldes do Enem, com as notas sendo utilizadas por variadas instituições. 

Mas, por lá, o conteúdo cobrado é bem diferente. Além das disciplinas regulares, as universidades consideram o perfil do inscrito, como participação em trabalho voluntário, esportes, olimpíadas acadêmicas e capacidade criativa.

“Quando o Law me contou sua história e vi o quanto ele era criativo, inteligente, articulado e com senso empresarial, já sabia que as universidades americanas ficariam interessadas nele”, conta Amorim. “Faço isso há muitos anos, sei quando o aluno vai desabrochar.”

No caso de Law, dois pontos devem ter atraído os selecionadores de Stanford, Yale, UCLA e Dartmouth, as quatro universidades dos EUA em que ele foi aprovado: o menino de 18 anos era poliglota e empreendedor. Fluente em inglês e espanhol, comunica-se bem em japonês e mandarim.

O lado empreendedor havia aflorado aos sete anos, quando criou um banco para ele e os irmãos depositarem os trocos de lanches comprados na escola —com direito a regulamento e informações de cada usuário.

Quando foi chamado para Stanford, fez da própria aprovação um caso de empreendedorismo: criou um programa de crowdfunding para levantar recursos para bancar os gastos de curso e moradia. Ao saber da história do menino, um empresário doou R$ 80 mil, sob a condição de anonimato.

Law fez valer cada centavo. No segundo ano, montou a CS+Social Good, a primeira organização de Stanford com o objetivo de usar a computação para causar impacto social —uma das ações foi mapear remédios próximos ao vencimento em farmácias e hospitais e mediar contato com instituições que distribuem a medicação a quem precisa e não têm condições de adquiri-la.

 

Fonte: Folha de São Paulo