Crise não pode impedir Brasil de avançar na indústria 4.0

O movimento global da quarta revolução industrial, a chamada indústria 4.0, avança a passos largos, e o Brasil corre o risco de ficar para trás, segundo especialistas.

“O momento de crise não pode ser uma desculpa para imobilismo”, afirmou o gerente-executivo de política industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria), João Emílio Gonçalves.

Para que o Brasil avance, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge de Lima, defende que o Estado induza o setor privado a cumprir seu papel. “O governo não atrapalhando, já ajuda bastante”, afirma.

As afirmações ocorreram durante a mesa sobre conectividade e indústria 4.0 do 2º seminário Inovação no Brasil, realizado pela Folha em parceria com a Embratel, com apoio da Braskem e do grupo Energisa, nesta segunda-feira (13), no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.

Neste processo da quarta revolução industrial, a oferta de internet de qualidade a preços acessíveis é determinante para que o país tenha sucesso, de acordo com os especialistas.

Como o serviço é oferecido de forma privada, o desafio para a Anatel, agência que regula o setor de telecomunicações no país, é fomentar investimentos nos locais onde a atratividade econômica é baixa, segundo Rafael Andrade, coordenador de gerência e regulamentação da agência.

Para o diretor-executivo da Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha, Johannes Klingberg, é necessário apoiar as empresas para que elas possam ver a indústria 4.0 de forma holística, que permeie todos os processos da cadeia produtiva. “Fala-se muito da agenda tecnológica da inovação, mas se deixa de lado elementos fundamentais em termos organizacionais e culturais dentro das empresas”, afirma.

Para o gerente-executivo da CNI, a boa notícia é que o Brasil já possui todo o ecossistema da indústria 4.0. “Cada empresa precisa decidir qual pacote de tecnologia faz sentido para ela, e pode digitalizar seus processos em etapas”, afirma Gonçalves.

Com a transformação a pleno vapor, os participantes destacaram a importância da agilidade para implantar os novos recursos disponíveis no mercado. Para Klingberg, é fundamental identificar as novas habilidades profissionais demandadas, e incorporá-las rapidamente nos currículos das universidades.

Da platéia, perguntas chamaram a atenção para o medo da mão de obra humana ser substituída por robôs. Para Gonçalves, outros momentos da história geraram mudanças sociais importantes no mercado de trabalho, e caminharam para o bem, substituindo grande parte do esforço humano e aumentando a produtividade. “A visão da tecnologia não é mais catastrofista. Tenho certeza absoluta que impedir o desenvolvimento não é a solução”, afirma.

 

Fonte: Folha de São Paulo