Editoras questionam no Cade a venda do Grupo Abril

Quatro editoras de revistas ingressaram com um pedido junto ao  Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que sejam consideradas partes interessadas no processo de compra do Grupo Abril por Fábio Carvalho.

Na petição, Globo, Ediouro, Panini, Três e EBR alegam que a aprovação da transação, dada pela superintendência-geral do órgão antitruste em 8 de janeiro, foi precipitada e “deixou de considerar (…) efeitos concorrenciais do negócio”.

O pedido será analisado pela presidência do Cade. Se for acatado, as empresas poderão pedir a anulação da compra.

No documento, protocolado em 18 de janeiro, elas dizem que a Abril monopoliza a distribuição de revistas e que suas concorrentes têm sido prejudicadas por atrasos de pagamentos.

As editoras também argumentam que a relação de Carvalho com a Alvarez & Marsal, consultoria que administra a Abril, “justifica maiores indagações quanto a eventuais violações das regras contra a prática de ‘gun jumping’”.

O ato, que é irregular, ocorre se houver troca de informações sensíveis entre as partes antes do fechamento de um negócio.

“A operação já vem causando a saída ou o estrangulamento dos concorrentes do Grupo Abril”, afirmam.

Do lado da Abril e de Carvalho, a ação é vista como uma tentativa de atrasar a aprovação definitiva da aquisição, segundo pessoas familiarizadas com o processo de recuperação judicial do grupo.

A coluna apurou que a expectativa do empresário é que o Cade rejeite o pedido. Procurados, a Abril, Carvalho, e o advogado das concorrentes não se manifestaram.

 

Fonte: Folha de São Paulo