Lei de proteção de dados deve impactar contratações em tecnologia da informação

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, sancionada na última terça (14), deverá aumentar a demanda por profissionais de tecnologia da informação, mas em ritmo menor que o visto na Europa, que atravessou um processo similar.

Um dos motivos é que as empresas terão 18 meses para se adequar às mudanças, um intervalo que permite treinar os próprios funcionários, diz Frederico Costa, da consultoria de recrutamento Randstad.

“Diferentemente da Europa, onde muitos terceirizaram de ponta a ponta e a busca por profissionais cresceu de 70% a 80%, no Brasil deverá ter uma procura 20% a 30% maior nas áreas de TI.”

Muitas companhias serão obrigadas a trabalhar com os próprios colaboradores porque não há oferta de mão de obra especializada em quantidade suficiente no país, afirma Guilherme Filgueiras, da consultoria Michael Page.

“Se estivéssemos em um mercado maduro, acredito que o serviço de contratações aumentaria ainda mais.”

As empresas ainda não começaram a procurar as consultorias para trazer candidatos, segundo Rodrigo Michelino, da Experis, ligada ao grupo Manpower.

“Pelo que temos conversado com os clientes, eles ainda precisarão entender melhor a questão, discutir suas políticas de segurança para só então analisarmos o tamanho das buscas [por mão de obra].”

Mesmo que o tempo de implementação seja longo, há chances de uma alta de contratações semelhante à europeia acontecer no Brasil, diz Caio Arnaes, da Robert Half. 

“Estamos alguns passos atrás da Europa no momento em que a lei foi lançada por lá.”

 

Fonte: Folha de São Paulo