França e Irlanda ameaçam acordo UE-Mercosul se Brasil não proteger a Amazônia

França e Irlanda ameaçam bloquear o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, firmado em junho, caso o Brasil não tome providências para proteger a floresta amazônica.

O gabinete do presidente francês Emmanuel Macron afirmou nesta sexta-feira, 23, que o presidente Jair Bolsonaro estava mentindo quando minimizou as preocupações com a mudança climática na cúpula do G20 no Japão, em junho. Tendo em vista esse contexto, a França vai se opor ao acordo firmado entre a União Europeia e Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Na quinta-feira, 22, Macron e o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressaram preocupação com os incêndios florestais que devastam a Amazônia, mas Bolsonaro respondeu irritado ao que ele considera ser uma intromissão em assuntos brasileiros.

De acordo com o primeiro-ministro irlandês, Leo Vardakar, “não há como a Irlanda votar a favor do acordo entre a União Europeia e o Mercosul se o Brasil não cumprir seus compromissos ambientais”. Segundo o jornal irlandês Independent, Vardakar se disse muito preocupado com as notícias sobre o nível de destruição na Amazônia.

O Itamaraty acompanha os possíveis riscos à conclusão do acordo entre o UE-Mercosul. Segundo uma fonte que acompanha o processo, o assunto ainda “está muito verde”, mas a possibilidade de o tratado não ser ratificado está no radar do Ministério de Relações Exteriores. Outra fonte do Itamaraty pondera que ainda não há oposição formal ao acordo, a não ser declarações informais de alguns líderes europeus.

Diante da repercussão internacional negativa contra o governo Jair Bolsonaro, que se intensificou nos últimos dias, o Brasil tem buscado meios de mostrar que tem cumprido metas do Acordo de Paris e que está comprometido com a preservação e o emprego sustentável das florestas. O objetivo é deixar claro que não há razão para não prosseguir com o processo de assinatura e posterior ratificação do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a UE. O documento passa por revisão jurídica atualmente.

Na quinta, Bolsonaro já adotou medidas com o intuito de sinalizar que está agindo para proteger o meio ambiente. Entre elas, determinou que todos os ministros adotem “medidas necessárias para o levantamento e o combate a focos de incêndio na região da Amazônia Legal para a preservação e defesa da Floresta Amazônia, patrimônio nacional”.

Após reunião com ministros no Palácio do Planalto, na tarde desta sexta-feira, novas medidas devem ser anunciadas para tentar melhorar a imagem do Brasil.

 

Fonte: O  Estado de São Paulo