Greve de caminhoneiros trava ônibus, postos e fábricas

No terceiro dia da greve de caminhoneiros autônomos, o cenário foi de desabastecimento em postos de combustíveis, aeroportos, entrepostos de alimentos e restaurantes e de paralisação na fabricação de veículos e no abate de animais.

A paralisação cresceu nesta quarta-feira (23).

Foram registrados protestos de caminhoneiros em 24 estados, como na terça (22), mas com 384 pontos de rodovias bloqueados no início do dia que foram aumentando. Na segunda (21), foram 188.

Segundo a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), foram 160 no Sul, 105 no Sudeste, 51 no Nordeste, 56 no Centro-Oeste e 12, no Norte.

A frota de ônibus também já foi reduzida no Rio de Janeiro, no Recife e em João Pessoa, e em também municípios do interior paulista.

A situação é mais crítica no Vale do Paraíba, e cidades como São José dos Campos já registraram postos sem combustível ou com filas quilométricas. Em Jacareí e São José, as frotas de ônibus também passaram a operar em horários reduzidos, assim como Ribeirão Preto.

A paralisação afetou, ainda, os Correios, que suspenderam postagens com hora marcada –Sedex 10, 12 e Hoje– e aumentou o prazo para a entrega do Sedex convencional e PAC.

Um dos setores mais afetados é o automotivo. Por falta de peças, foram interrompidas operações em 16 montadoras. Na lista estão Fiat, em Betim (MG), Ford, em São Bernardo do Campo (SP), Volkswagen também em São Bernardo do Campo, São Carlos (SP), São José dos Pinhais (PR) e Taubaté (SP).

“Se a situação não se resolver nos próximos dois dias, teremos praticamente todo o setor paralisado”, diz Antônio Megale, presidente da Anfavea (entidade de representação das montadoras).

Os centros de abastecimento de alimentos nas capitais do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia receberam menos caminhões.

A comercialização de produtos na Ceasa (Central de Abastecimento) de Curitiba caiu cerca de 70% no dia.