Léo Santana e as eleições municipais – Maurílio Fontes

Quais as semelhanças entre a escolha de Léo Santana para representar os forrozeiros da Bahia em especial televisivo e as eleições municipais de 2020?

A primeira, dentre tantas semelhanças, é o erro estratégico de posicionamento (forçado) do pagodeiro como forrozeiro, cuja repercussão, extremamente negativa, não agregou valor às marcas que patrocinaram o show da Rede Globo Nordeste veiculado para os nove estados da região na noite deste sábado (20).

E mais do que isso: criou polêmicas em torno de uma tradição cultural, muito forte na Bahia, que sempre garantiu visibilidade positiva aos patrocinadores de eventos juninos.

Faltou aos profissionais de marketing (e/ou área de eventos da Rede Globo Nordeste) a percepção sobre a inadequação da escolha do cantor malhadão, essencialmente pagodeiro, como representante do forró da Bahia, algo completamente fora do tom para alguém mais atento à cultura local.

O que seria motivo para o forró dentro de casa, em tempos de coronavírus, extrapolou para as redes sociais e fez um estrago daqueles na imagem da organizadora do evento.

Profissionais de marketing político (e não os curiosos, travestidos de “marqueteiros”), a partir da análise de pesquisas qualitativas (grupos focais) e quantitativas, devem posicionar corretamente a imagem de seus clientes dentro do espectro eleitoral, que em larga medida é uma disputa por percepções, objetivando fornecer elementos para as decisões dos cidadãos frente às urnas.

Construir narrativas que não gerem dissonância entre a imagem do candidato e sua vida concreta/pregressa é uma das mais importantes tarefas dos profissionais de marketing político, evitando escolhas à la Léo Santana, que rapidamente, na velocidade frenética das redes sociais, se revelarão completamente inadequadas para o fortalecimento da imagem do postulantes ao executivo municipal.

Um passo atrás em campanhas eleitorais sempre causará prejuízos: perda de tempo, votos e diminuição da percepção positiva da imagem do candidato, difícil de ser reconstituída.

Se uma emissora de TV tem espectadores, que não possuem instrumentos para interferir em programação específica, o político, em sentido inverso, quando disputa o executivo municipal, é escrutinado pelos eleitores: declarações, gestos, conhecimento sobre orçamento público, capacidade de enfrentar adversários com argumentos convincentes e eloquência para apresentar seu programa de governo são “variáveis” importantes que podem compor,  com tantas outras, o mosaico de informações definidoras da eleição.

No marketing político, as escolhas nem sempre são fáceis, garantidoras absolutas dos resultados planejados e da vitória, mas alguns caminhos estratégicos nunca devem ser trilhados: fugir da escolha à la Léo Santana é um deles.

Maurílio Fontes é bacharel em Marketing e especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública