Marketing político é muito mais do que a gestão de redes sociais em campanhas eleitorais- Maurílio Lopes Fontes

Ninguém, em sã consciência, duvida da força das redes sociais.

Contudo, em campanhas eleitorais não se pode colocar a gestão desta área acima do marketing político, como se ela fosse a alternativa mais viável para catapultar a imagem dos postulantes ao Executivo e Legislativo.

O foco nas redes sociais é relevante e a gestão profissional necessária, mas a partir de conceitos bem delineados, conteúdos discursivos fundamentados e estratégias definidas com precisão.

Estas tarefas orientadoras cabem ao profissional de marketing político e não podem ser terceirizadas sob pena da campanha transitar em tereno perigoso, sem visão sistêmica da complexidade que envolve principalmente as disputas majoritárias.

Por questões de mercado e de ocupação de espaços, parte dos gestores de redes sociais “vende” seu trabalho como se fosse marketing político, o que é um risco quando outras variáveis complexas não são levadas em consideração (até pela lacuna na formação de quem lida profissionalmente com as redes sociais).

Em um mundo hiperconectado as disputas eleitorais ganharam novos contornos que possibilitaram o surgimento de nomes sem presença na arena política e o naufrágio de políticos tradicionais, incapazes de perceber as ondas proporcionadas pelas formas contemporâneas de obter informações e avaliar a atuação de detentores de mandatos eletivos. 

O mundo está em constante rotação, mas muitos políticos ainda acreditam na intermediação dos cabos eleitorais, historicamente “controladores” de votos em seus redutos, que sempre agiram como garantidores dos sufrágios da comunidade que eles diziam representar. 

As redes sociais quebraram a velha dinâmica e estabeleceram novas formas dos eleitores lidarem com os políticos.

Os profissionais de marketing político devem estar atentos a tudo quanto possa impactar nas campanhas eleitorais  de seus clientes, levando em conta uma série de variáveis e a movimentação nas redes sociais de críticos e apoiadores, baixando a temperatura das polêmicas, lugar comum no espaço virtual, e ocupando espaços que reforcem a imagem positiva dos clientes.

Marketing político é muito mais do que a gestão de redes sociais em campanhas eleitorais. 

Maurílio Lopes Fontes é bacharel em Marketing e especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública (UCSAL- 2006)