O ocaso de Fernando “Cuma” Gomes – Maurílio Fontes

“Morra quem morrer”, frase de Fernando “Cuma” Gomes, prefeito de Itabuna, além de demonstrar falta de empatia, irresponsabilidade na gestão da pandemia do novo coronavírus e completa dissonância em relação às atribuições de  chefe do Executivo, indica o ocaso de uma carreira política vitoriosa, quando se leva em conta os cinco mandatos de prefeito e os três de deputado federal. 

“Cuma” passou parte considerável de sua longeva vida no exercício de funções públicas, iniciada no longínquo ano de 1973 quando assumiu a Secretaria de Administração da Prefeitura de Itabuna no governo de José Oduque Teixeira. 

Entre vitórias e derrotas, “Cuma” dominou ou influenciou de alguma forma a política em Itabuna por quase 50 anos. Mas o ocaso chegou por vários motivos: administração desastrosa em seu quinto mandato, embates desnecessários em muitas frentes, desrespeito às regras republicanas que devem balizar a gestão pública, descumprimento de determinações do Ministério Público, incapacidade de governar em cenários contemporâneos, nos quais as redes sociais são ferramentas capazes avaliar quase que em tempo real as decisões governamentais e um certo cansaço, natural em quem, aos 81 anos, completará em 31 de dezembro 20 anos no comando da Prefeitura de Itabuna, algo inédito na política local. 

As polêmicas marcaram a trajetória política do boquirroto Fernando “Cuma” Gomes, mas a frase “morra quem morrer” representa o ápice negativo para sua imagem, em um momento de grave crise sanitária no Brasil, com mais de 60 mil mortes e sem soluções viáveis para conter a curva de contaminação. 

A frase revela de forma clara quem é Fernando “Cuma” Gomes e desculpas, meras desculpas protocolares, não o absolvem de tamanha desfaçatez, algo praticamente atávico à sua personalidade histriônica, que sentou praça em Itabuna e encontrou espaço na sociedade grapiúna para ocupar cargos públicos à base de um populismo retrógrado, que há muito deveria ter sido defenestrado da política de uma das mais importantes cidades do estado. 

“Morra quem morrer” significa grande desrespeito ao povo de Itabuna.

E mais do que isso: revela que os eleitores sempre foram meros joguetes na carreira política de Fernando “Cuma” Gomes.

Fernando “Cuma” Gomes é um Odorico Paraguaçu muitas vezes piorado.

A pandemia vai passar.

Fernando “Cuma” Gomes também. 

Maurílio Fontes é editor do site Bahia Hoje News e especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública