Para tentar polarizar com Bolsonaro, Ciro quer focar segurança e redes sociais

Em uma estratégia de polarização do debate presidencial, o pré-candidato do PDT ao Planalto, Ciro Gomes, investirá até agosto nos dois principais trunfos eleitorais de seu adversário do PSL, o deputado federal Jair Bolsonaro (RJ): a bandeira da segurança pública e a capilaridade nas redes sociais.

A avaliação da equipe de campanha é de que a formatação de um discurso contrário ao do capitão da reserva no que são considerados seus pontos fortes pode consolidar o pedetista no campo da esquerda e o legitimar como um nome capaz de enfrentar o presidenciável de direita em um eventual segundo turno.

No cenário da pesquisa Datafolha realizada no mês passado que não inclui candidato do PT ou Michel Temer (MDB), Ciro pontua com 9% das intenções de voto, contra 17% de Bolsonaro e 16% de Marina Silva (Rede) —o levantamento inclui Joaquim Barbosa (PSB), com 9%, que ainda não havia desistido de concorrer.

A ideia do grupo de Ciro é também tentar atrair eleitores que passaram a cogitar um apoio ao militar tanto em busca de um nome que passe a imagem de autoridade como pela possibilidade de o ex-presidente Lula, preso desde abril, não participar da disputa eleitoral.

Para evitar que Bolsonaro monopolize o tema da segurança pública, Ciro tem formulado um conjunto de propostas com a colaboração de pensadores dos assuntos, como o antropólogo Luiz Eduardo Soares e o filósofo Roberto Mangabeira Unger.

Um dos autores de “Elite da Tropa”, livro que deu origem ao filme “Tropa de Elite”, Soares, que já foi secretário nacional de Segurança Pública, tem dado contribuições a todos os candidatos da esquerda e prega uma política de combate à violência que não seja dissociada da defesa dos direitos humanos.

“É necessário alterar a estrutura nacional da segurança pública, o modelo policial e a distribuição de responsabilidades entre os entes federativos”, disse à Folha.

Já Mangabeira é defensor de que o poder público adote medidas diferentes no enfrentamento dos crimes organizado e comum. O segundo, na avaliação dele, “prolifera no vazio da organização social” e é o que mais aflige a população brasileira.

“Não vejo nele [Bolsonaro] nenhuma proposta séria, nem sequer no tema da segurança pública”, afirmou em entrevista recente à Folha.

 

Fonte: Folha de São Paulo