Pastor Sargento Isidório: desafios e impossibilidades – Maurílio Fontes

Os 169.807 votos obtidos pelo deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante) em Salvador na eleição de 2018 o credenciam a disputar o pleito na capital do estado?

Até pode ser, mas daí torná-lo candidato viável são outros quinhentos.

A eleição majoritária em Salvador sempre foi (e será) complexa, com variáveis que não cabem no perfil do pré-candidato.

Exemplo: a classe média soteropolitana, de pronto, poderá rechaçar o deputado federal mais votado em razão de suas posições pitorescas, apartadoras de aproximação eleitoral mais pragmática.

Confundir eleição proporcional com a disputa majoritária, levando em consideração o caminhão de votos do deputado federal, é algo que resvala para o amadorismo e não dá conta das tarefas hercúleas que precisarão ser cumpridas pelo homem do botijão de gás.

Para o governador do estado, a candidatura do Pastor Sargento Isidório é natural, mas o intuito real, longe das mistificações eleitorais, é embolar o jogo e não vencê-lo com o deputado federal.

A burocracia petista nunca verá com bons olhos a candidatura do correligionário de ocasião, sem estabilidade e conhecimento para dirigir uma cidade da importância de Salvador.

Os três anos do prefeito Marcelo Crivela demonstram que votar sem análises mais acuradas é anunciar tragédias administrativas.

A Prefeitura de Salvador não deve se transformar em sucursal de qualquer denominação religiosa, quase sempre restritiva na área de costumes e impeditiva de ações mais ousadas, inovadoras e que mantenham Salvador no caminho da modernidade.

A nova década é logo ali e passos para trás não condizem com a capital que queremos. 

A candidatura do Pastor Sargento Isidório é legítima, mas tentar viabilizá-la a partir do quantitativo de votantes da eleição proporcional é mera confusão conceitual: uma coisa nada tem a ver com a outra.

Nunca é bom cravar prognósticos eleitorais, mas acreditar na possibilidade de vitória do Pastor Sargento Isidório é ilusão que, por enquanto, alguns querem viver.

Excentricidades, serviços prestados e clientelismos variados são plataformas que não garantirão dianteira estável nas pesquisas de opinião quando, de fato,os eleitores estiverem interessados na eleição soteropolitana. 

O Pastor Sargento Isidório até poderá ser um bom anticandidato, ocupando espaços midiáticos e nas redes sociais, mas Salvador precisa de candidatos com projetos bem delineados e capacidade para segurar o manche da gestão pública.

Maurílio Fontes é bacharel em Marketing, especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública (UCSAL)