Séculos de guerras e execuções marcam história da família real

O príncipe Harry, que se casa neste sábado (19), é o sexto na linha de sucessão ao trono e quase certamente não será rei. Entretanto, ele é um dos membros mais glamourosos de uma família que governa o Reino Unido há mil anos.

Harry é membro da Casa de Windsor, que reina desde que o avô da atual rainha, George 5º (1865-1936), mudou o nome da família, que era Saxe-Coburgo-Gota, na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Seus ancestrais geralmente encontravam noivas entre as casas reais europeias, embora o monarca britânico mais famoso, Henrique 8º, tenha se casado por amor, assim como o príncipe Harry.

Henrique 8º, que governou a Inglaterra entre 1509 e 1547, foi o segundo monarca da Casa de Tudor, que havia chegado ao trono quando seu pai derrotou em batalha o infame Ricardo 3º.

Sua primeira mulher não lhe deu um herdeiro, e por isso Henrique seguiu o caminho da Reforma e do protestantismo. O monarca se casaria com mais cinco mulheres, duas das quais ele decapitou, mas não conseguiu garantir o futuro de sua dinastia.

Depois de um breve reinado de seu filho, Eduardo 6º, e de sua filha Maria 1ª, sua segunda filha assumiu o trono como Elizabeth 1ª. Esta se recusou a dividir o trono com um marido, e ao morrer, em 1603, a Casa de Tudor também terminou.

Maria, rainha da Escócia, que havia se declarado rainha da Inglaterra na época da ascensão de Elizabeth, foi executada por sua prima em 1587 por conspirar contra ela. Seu filho, Jaime 6º da Escócia, herdou pacificamente a coroa inglesa em 1603, unindo pela primeira vez os tronos dos dois países.

Ele foi um monarca muito bem sucedido, fazendo a paz com a Espanha e administrando as relações entre seus reinos.

Seu filho, Carlos 1º, não foi tão hábil. Suas tentativas de impor um livro de orações inglês aos escoceses provocou rebeliões. Ele teve de convocar um Parlamento em 1640 para requerer impostos com os quais pagar um Exército.

As relações reais com o Parlamento continuaram azedando, e a Guerra Civil Inglesa começou em 1642. Após anos de duras batalhas, Carlos foi executado em 1649, e o Reino Unido foi governado como república durante 11 anos.

A República Puritana, em que os teatros foram fechados e os esportes, proibidos, não agradou muita gente, e em 1660 o filho de Carlos 1º foi convidado a retomar o trono como Carlos 2º.

Esse “Monarca Alegre” reinou com êxito durante 25 anos, mas seu irmão católico, Jaime 2º, era odiado no Reino Unido protestante.

Em 1688, o genro de Jaime, Guilherme de Orange, apareceu com um Exército e Jaime fugiu. Guilherme e sua mulher, Maria, tornaram-se monarcas conjuntos depois de concordar que seus poderes fossem restringidos com a Carta de Direitos.

A irmã de Maria, a rainha Ana, que os sucedeu, também teve poderes limitados. Apesar de suportar 17 gestações, ela morreu em 1714 sem deixar filhos vivos.

O Parlamento deu a coroa à protestante Sofia de Hanôver, que era neta de Jaime 1º.

O filho dela, Jorge 1º, nascido na Alemanha, foi o primeiro monarca da Casa de Hanôver.

Apesar de ele nunca ter aprendido a falar inglês e ter passado o menor tempo possível em seu novo reino, seus descendentes foram mais animados a se tornar monarcas britânicos.

A tataraneta de Jorge, Vitória, foi a primeira monarca da família Hanôver que não herdou terras na Alemanha. O príncipe Harry é descendente duas vezes da rainha Vitória, que, graças aos casamentos reais de seus filhos, é conhecida como a avó da Europa.

O século 20 se mostrou tão turbulento quanto os anos anteriores para a família real.

O tio da atual rainha, Eduardo 8º, abdicou em 1936 para se casar com a americana divorciada Wallis Simpson.

Os tempos mudaram, e não há pressão sobre o príncipe Harry para renunciar a seus títulos reais quando se casar com sua noiva americana divorciada. Ele e Meghan Markle podem antever décadas de realeza, conforme a coroa avança pelo século 21 e mais além.

Fonte: Folha de São Paulo