Ser feliz requer uma dose extra de coragem – Luciana Kotaka

Nem sempre é fácil compreender que a felicidade não cai nas nossas mãos se não estivermos atentos, é que na maioria das vezes estamos tão focados no que ainda não aconteceu, no futuro, que o momento presente passa desapercebido.

Vamos passando pela vida de relance, não paramos para olhar os pequenos detalhes que são essenciais para a construção da nossa felicidade. Caso eu não tenha sido clara, ser feliz depende da forma com que olhamos, sentimos e valorizamos os fatos cotidianos de nossas vidas.

O simples ato de abrir os olhos pela manhã já é um motivo maravilhoso para sentirmos uma energia extra de felicidade, mas o fato é que estamos sempre sendo levados a focar no externo, no desejo pelo o que não temos. Infelizmente esse é um dos focos que movimenta a indústria do consumo, nos levar a desejar comprar o tempo todo, desde o novo lançamento de um carro, uma viagem até um bolsa de uma determinada marca francesa.

Então, a pergunta é  como sair desse sistema que nos aliena para nos acordar para os verdadeiros e pequenos presentes que a vida nos oferece?

Talvez alguns se perguntem se é necessário buscar outras formas de serem felizes, até porque estão satisfeitos com a vida. Sentem-se felizes, mas uma grande parcela das pessoas vêm se questionando, querendo mais, precisando alcançar outros significados para que a vida faça sentido. E é esse grupo de pessoas que estou focando, querendo mostrar que para ser feliz é preciso coragem.

Sabemos o quanto é desafiador mudar padrões de pensamentos, crenças enraizadas que tem origem em vivências embutidas dentro de nós desde o nascimento, modelos a que fomos sujeitados. Muito material dos quais uma parte nem acessamos, não nos ligamos do quanto uma frase repetida continuadamente durante a infância pode determinar a vida toda.

Fazemos alianças, pactos e contratos inconscientes que nos levam a viver e a entender a vida sob a ótica de nossos pais devido a diversos condicionamentos e nem sempre isso é claro para nós, mesmo quando repetimos comportamentos e nos sentimos infelizes.

Podemos optar pensar que a vida é dura, que o sofrimento é natural e então levar vida sem buscar meios de mudar esses conceitos, mas na verdade sentir-se feliz é uma mudança de foco, é aprender a valorizar outros aspectos da vida. Quando temos a compreensão de que podemos mudar a forma com que nos relacionamos com o mundo, podemos desenvolver um outro olhar capaz de ver com gratidão tantas coisas boas que temos.

Então chega o momento de refletir sobre o que você espera da vida, o que tem feito para senti-se melhor, mais satisfeito e com a sensação de que está tudo bem. Que te faça sorrir somente de ver uma flor no meio da calçada, te faça ganhar o dia só de ganhar um sorriso gratuito ao cruzar o olhar com alguém que nem conhece, de ajudar e se sentir ajudado por ser útil.

O que é felicidade para você? O que te arranca uma gargalhada? Beber muito ou estar estar feliz somente por poder caminhar e sentir o vento no rosto? Quais os seus valores acerca da vida?

Ser feliz requer coragem de rever conceitos arraigados dentro de si mesmo, de poder explorar e se permitir ao novo, deixar os julgamentos de lado e simplesmente ser e deixar o outro ser. Afinal ser feliz é uma construção diária e você é a única pessoa que pode botar a mão na massa para mudar sua vida.

Luciana Kotaka é psicóloga, colunista, blogueira, escritora apaixonada pelo comportamento humano, em busca constante do papel da obesidade e dos transtornos alimentares como sintoma de uma sociedade ansiosa e angustiada.

Fonte: O Estado de São Paulo