Transformação digital do setor bancário ‘nos angustia toda noite’, diz Roberto Setubal, presidente do Itaú

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou que o banco não tem as respostas que deseja, dentro do cenário de grande transformação no setor financeiro, mas que está aberto a se reinventar e se adaptar. “Estamos vivendo um mundo em grande transformação. Não temos resposta para o que queremos e isso nos angustia toda noite… Fintechs estão batendo na nossa porta todo dia. Estamos discutindo bastante isso no banco”, admitiu ele, em reunião com analistas e investidores.

Olhando dez anos para frente, Setubal enxerga um banco diferente e a necessidade de o Itaú estar preparado para isso e também capacitar os colaboradores da instituição. “Queremos estar daqui a dez anos no mesmo nível de desempenho e destaque. Mas é essencial se preparar para esse mundo de transformação”, destacou.

Ele sinalizou ainda que o banco não tem uma “grande aposta” para o futuro. “Não gosto de apostas. Grande aposta é sempre um risco muito grande de dar errado e normalmente dá errado. A governança tem o papel de manter a coisa controlada, mas o banco está aberto a transformações em um ambiente em que o mundo está mudando”, disse.

O cenário de grande transformação do sistema financeiro não é uma realidade só do Brasil, conforme Setubal, mas em todo o mundo. Novas empresas estão surgindo, mas, segundo ele, não significa que players tradicionais, grandes bancos, têm sumido.

“O sistema financeiro é uma coisa que evolui muito e continua crescendo. É uma mega indústria no mundo. Dificilmente alguma outra indústria é do tamanho do sistema financeiro”, disse Setubal.

Apesar de ser “muito grande”, o setor financeiro tem muito espaço para evoluir, seja via tecnologia ou novas regulamentações que estão abrindo oportunidades para o segmento. “Estamos em um desses momentos de grande transformação. Alguns players certamente terão sucesso, alguns não. Um deles que certamente estará é o Itaú Unibanco”, garantiu ele.

De acordo com Setubal, muitas coisas vão mudar, inclusive produtos, mas o banco vai conseguir se perpetuar, atuando de uma forma diferente. “Saberemos enfrentar desafios que estão surgindo. Algumas coisas não vão mudar… Vamos nos reinventar, nos adaptar. O futuro está aí. O banco sabe dos desafios que tem”, finalizou.

Complacência

Também presidente do banco, Pedro Moreira Salles afirmou que o maior risco para uma empresa é a complacência. “Não estamos com esse tipo de síndrome dentro do Itaú Unibanco. O ato de se questionar para sabermos se já fizemos o suficiente é constante”, disse ele.

Segundo Moreira Salles, o ato de questionar e saber se já fizeram o suficiente é constante dentro do banco. “Não vejo nenhum sinal de complacência, em que pese a grande empresa ter tendência a isso”, reforçou ele, acrescentando que o Itaú Unibanco procura não deixar “nenhum terreno aberto e se manter vivo a todo instante”.

Questionado sobre transformações no sistema financeiro, ele disse que o banco soube se adaptar ao longo do tempo, uma vez que poucas empresas conseguem atravessar a barreira de um século de existência, mas que é necessário criar capacidade para os desafios que o momento impõe. “Em que pesem aflições e angústias que todos nós incumbentes temos no mundo atual, olho com muito entusiasmo o que virá para frente”, afirmou Moreira Salles.

O Itaú Unibanco tem, conforme ele, conjunto de atributos dificilmente reproduzíveis, mas que daqui a dez anos as instituições financeiras terão de adotar uma nova maneira de atendimento e de distribuição de produtos. “Saberemos encontrar respostas à medida que as perguntas aparecerem. Essa é parte essencial do trabalho, de controladores e membros do Conselho. Temos de criar capacidade para o banco aos desafios que o momento impõe.”