Um candidato para chamar de seu (mesmo que seja ele) – Maurílio Fontes

Os dois governos do prefeito de Catu Geranilson Requião não construíram castelos e nem conseguiram enfrentar a profunda crise do município, em grande parte vinculada à desmobilização da Petrobras e das empresas prestadoras de serviço no segmento petrolífero, bases sustentadoras da economia catuense, mas também à falta de capacidade de inovação da administração 

O núcleo duro do prefeito, que controla a gestão, aponta para a candidatura majoritária do vereador Marcelo Calazans, atual presidente do legislativo municipal, conhecido como Marcelo do Sindicato: um candidato para chamar de seu (mesmo que seja ele). 

Atual vice-prefeito, o médico André Marques não contaria com apoio (e confiança) de quem acha que manda nos destinos da política catuense.

Duvido muito do salto alto de uns poucos (umas poucas), que inebriados pelo poder, acreditam que podem controlar votos e a vontade do povo catuense

O “Cardeal Richelieu catuense” é entusiasta da candidatura de Marcelo do Sindicato. As razões desta opção só ele poderá explicar. 

Participei diretamente de três campanhas para a Prefeitura Municipal de Catu e julgo conhecer um pouco os meandros da política local.

Fui âncora do principal programa jornalístico da Rádio Ouro Negro, assessor da presidência da Câmara de Vereadores (segunda metade da década de 90) e ocupante de cargo comissionado na PMC no segundo mandato do prefeito Antônio Pena, de quem discordei várias vezes (mas este é assunto para outro artigo).

Registro: não estou atrás de boquinhas. Há muito tempo encerrei minha trajetória na ocupação de cargos de confiança. 

O tema, entretanto, é o candidato para chamar de seu e, supostamente, manter intacta a estrutura de poder montada ao longo dos últimos sete anos, com um mandatário dócil às futuras intervenções de quem deseja permanecer mais quatro anos no poder.

O técnico em Agropecuária Marcelo do Sindicato é político talhado para dirigir a Prefeitura de Catu?

Massacradas pelo prefeito Geranilson Requião e seu entorno, não sobraram no tabuleiro sucessório as antigas lideranças petistas, fundadoras da legenda no município e que enfrentaram batalhas eleitorais desde 1982. 

A “cozinha requiaonista” frita em fogo brando as pretensões do médico André Marques, que, de resto, é político com certa sazonalidade estratégica incompreensível (vide 2012, quando bem posicionado nas pesquisas de opinião, sumiu e optou, estranhamente, por não enfrentar o bom combate, abrindo possibilidades reais para a vitória de Geranilson Requião). 

A aproximação na eleição de 2016 e a vaga de vice não fizeram dele ator político confiável aos olhos daqueles que de fato mandam na articulação do grupo situacionista. 

Outros fatores precisam ser considerados: excluindo a vereadora Clara Sena, voz oposicionista solitária no confronto com o governo municipal, a oposição catuense padece de raquitismo de ideias e encolheu nos últimos sete anos, secundarizando o necessário e saudável embate contras as forças governamentais. 

Catu avançou ou estagnou nos dois governos de Geranilson Requião?

A resposta parece óbvia e não exige análises mais acuradas. 

A menos de 380 dias de seu final, o governo quer um candidato para chamar de seu, mesmo que seja Marcelo Calazans. 

Foto: Catu Acontece

 

Maurílio Fontes é editor dos sites Alagoinhas Hoje e Bahia Hoje News, especialista em Marketing Político, Mídia, Comportamento Eleitoral e Opinião Pública