Vício em celular é semelhante a crack ou heroína, afirma autor

Li “Irresistível” em busca de ajuda. Como três quartos da população, passo mais de três horas por dia ao celular, e a parte desse tempo em redes sociais é maior do que gostaria de admitir.

Após algumas horas, porém, senti que quem estava sequestrando meu tempo era Adam Alter, autor do livro, com divagações sobre séries viciantes do Netflix, detalhes irrelevantes sobre seus entrevistados e dezenas de exemplos de joguinhos no estilo Candy Crush.

Por sorte, após 200 páginas, ele apresenta a solução. Um vício comportamental se resolve com uma mudança gradual de hábito para se afastar das tentações, e não com punições extremas ou mera força de vontade. É uma paráfrase do que diz o best-seller “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg, mas podemos perdoar a falta de originalidade.

A chave é descobrir o que torna o vício compensador e, então, substituí-lo por outra coisa, diz o professor da Universidade de Nova York. É como usar um chiclete de nicotina, mas compreendendo que, enquanto o fumante acreditar que o cigarro aplaca sua ansiedade e não tratar esse problema de outras formas, ele vai desejar fumar.

A comparação entre vícios induzidos por comportamentos e por substâncias químicas pode parecer extrema à primeira vista, e até hoje não é consenso. Foi após décadas de debate que, na quinta edição do manual de distúrbios mentais DSM, em 2013, foram incluídos vícios “não relacionados a substâncias”.

Para quem acha que não há diferença, um vício se instala quando a mente associa um hábito ao alívio para o sofrimento psicológico. Checar o Instagram, usar crack, roer as unhas ou apostar no caça-níqueis são muletas para problemas externos mal resolvidos e só diferem em intensidade.

Fonte: Natália Portinari /Folha de São Paulo